Tá, tá, eu sei que é atrasado!
September 2, 2008Já é dia 2 de setembro, e daí? Foda-se. Tô com uma insônia dos infernos e essas malditas convenções de que depois da meia noite já é amanhã estragam tudo. Pra mim ainda é dia 1 e pronto!
Bom, sabendo que hoje é dia 1 de setembro, tem algo a comemorar! Hoje é aniversário do Todo Poderoso Timão! São 98 anos de história e tradição, 98 anos de glórias, 98 anos de emoções.
Emoção é algo que designa bem o que quero dizer. O Corinthians é um fenômeno social, já dizem os estudiosos e não tem corneta, torcedor lavanderia (torce e seca) e filhosdaputa afins que possam contrariar a realidade: a torcida do Corinthians é a mais fiel e ponto final.
É inexplicável o sentimento de fanatismo que invade a mente. Eu encaro como uma religião e não consigo traçar um paralelo com qualquer outra coisa que possa causar um sentimento equivalente em força e devoção. É inexplicável também a mobilização social que se consegue. A invasão do Maracanã em 76 que o diga. O recorde de público de 77 também.



Brasileiro 98/99
O sofrimento é a questão de tudo. O maior barato de ser torcedor é torcer, e nada melhor do que torcer quando quase sempre a situação é adversa. Dá mais emoção, dá uma sensação de conquista real, suada, conseguida na raça como a fiel torcida gosta.
E de situação adversa o ano de 2007 nos deixou escolados. Graças a uma má administração feita por um ditador ladrão e imbecil, que além de vender o que tinha de melhor, afundou o clube em dívidas, acabamos ficando na pior.
Foi um ano para testar a fidelidade do torcedor. Um ano no qual eu acordava as 6 da manhã para ir assistir aos treinos no sábado incentivar o time. Eu e mais 1000, 2000 e até 5000 torcedores. O time precisava de motivação, então a torcida comparecia em peso. Bater palmas até a mão ficar queimada, gritar até perder a voz. Valia de tudo.

E vaaai Corinthians!
Era difícil conseguir qualquer ingresso. Todos esgotavam em pouco tempo e restava ouvir o jogo pelo rádio. Aquele gol do Finazzi, num dos últimos jogos do campeonato, contra o Atlético PR me fez chorar. A vontade do goleiro Felipe era a esperança. A fé da torcida era absurda.
Ao ouvir o apito do juíz no final do jogo contra o Grêmio, senti como se o mundo tivesse acabado e só eu tivesse restado ali. Passei aqueles 90 minutos ali, torcendo e rezando para quem? Para alguém que não acredita em deus e nem em nada, me restava rezar pelo Corinthians, para o Corinthians.
Fim de jogo, Corinthians rebaixado. Na hora, senti aquele misto de tristeza e raiva. Raiva por passar todo aquele sofrimento e acontecer o pior, por ter acreditado como tantos outros milhões de torcedores. Tive um ímpeto de jogar a camisa da sorte no chão, estava usando a camisa mais recente e segurava a camisa "da sorte" comigo. Dei azar? Enfim. Recolhi a camisa e tive a pior noite da minha vida. Passei a noite ouvindo sons de torcida e lembrando do maldito jogo. A primeira em que tive insônia. No dia seguinte, vesti o manto sagrado alvinegro e a vida continuou. O amor ao time só aumentou.
E isso tudo serviu para mostrar que pode acontecer o que for, a torcida nunca vai abandonar o time. Serviu para que o time se reestruturasse, investisse em marketing, em administração coerente, em corte de gastos. Serviu, acima de tudo, para acordar o gigante adormecido e para que finalmente pudessem explorar todo o potencial da torcida que tem um time pode oferecer.
Daqui a alguns jogos estaremos de volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído.
Parabéns Corinthians pelos 98 anos! E valeu pelos 21 anos que me proporcionou de alegrias e emoções até hoje. E vaaaai Corinthians! Não pára de lutar!

"Corinthians do meu coração,
Tu és religião de janeiro a janeiro.
Ser corinthiano é ir além
De ser ou não ser o primeiro…"

