Metrô Fight!

October 5, 2008

Gosto tanto do transporte público, mas TANTO que fiz uma categoria especialmente para narrar minhas aventuras no inferno que chamamos de transporte.

Como já falei aqui, mudei de emprego, e agora não tenho (ainda) tanto mau humor para falar mal de chefes, porque eles são bacanas comigo, os outros funcionários também e naquela agência dourada especificamente as pessoas evitam ao máximo pedir refações de trabalhos, costumam organizar-se para que o designer possa fazer o trabalho com todas informações possíveis. Perfeito. Mas não é esse o assunto do post, e sim COMO eu chego no trabalho.

Pois bem, hoje contarei uma história bem peculiar sobre minhas aventuras no Metrô.
Trabalho na Zona Oeste agora, e para tanto, preciso pegar o metrô linha vermelha sentido Barra Funda. Aos que não conhecem, essa linha leva para as estações do centro (Anhangabaú, República, Sé) e isso já é motivo para que ela fique duas vezes mais cheia que o lado contrário.

Incrívelmente eu estou chegando exatamente no horário todos os dias, e naquele dia especificamente eu havia chegado até 10 minutos mais cedo que o de costume no metrô e estava muito feliz porque tinha conseguido um lugar para sentar, o que é um milagre para quem pega o metrô de manhã no horário de pico.

Como é de costume, nas estações mais cheias SEMPRE um viado vai colocar o seu cu largo na porta, e naquele dia não foi diferente. Na estação Luz, conhecida por trazer a cambada que vem de trem para o metrô, lotada como sempre, um viado colocou seu orifício anal largo na porta, e a porta travou. O operador do metrô avisou para que as pessoas não segurassem a porta, mas ainda assim as portas continuavam abrindo e fechando. E o operador avisando. E as portas abrindo e fechando. E enfim, isso durou 10 minutos. DEZ minutos. Foram minutos infernais, pois cada vez mais gente entrava no vagão, e as portas apitavam sem parar, abriam e fechavam, foi infinito enquanto durou.

Provavelmente aconteceu algum tipo de bug, e as portas continuavam reconhecendo alguém preso na porta mesmo quando não havia ninguém ali. Então, decidiram que seria mais viável pedir para que o trem fosse evacuado, e que um novo trem chegaria. E foi aí que começou meu martírio.

Imaginem que havia duas vezes mais gente dentro do vagão, devido ao tempo de demora e as pessoas que foram entrando. E que haviam duas vezes mais pessoas do outro lado da plataforma, que pretendiam entrar no vagão, que já estava duplamente cheio. Então, pelas contas, eu diria que tinha 4 vezes mais gente que o de costume. CAOS.


Aeee tão distribuindo pão com ovo de graça!

Chegou um novo trem vazio, e as pessoas entraram nos vagões como se o próprio diabo estivesse espetando elas para entrarem, e quem ficasse na plataforma seria levado ao inferno. Eu não conseguia pisar com os dois pés no chão, fiquei presa entre 423423 pessoas com um dos pés que tocava o chão apenas em situações de milagre. Era impossível se mover, para respirar, tinha que virar o rosto pra cima, senão teria de respirar o ar quente de suor fétido alheio, péssimo.

Na estação seguinte, mais gente entrou, e provavelmente duas vezes mais do que o padrão, já que o atraso gerou acúmulo de pobres em todas as estações. E na tão almejada estação Sé, conhecida pelo acúmulo de pessoas, foi que eu pude tentar desafiar a física. Eu precisava dar mais ou menos cinco passos até a porta e sair. Mas isso era inviável. Absolutamente inviável, as pessoas mal conseguiam se mexer. Eu, com um esforço herculeo, consegui dar no máximo três passos, antes de minha mochila ficar presa na cabeça de uma mulher tosca. Eu mal conseguia puxar a mochila de volta, e a velha, não sei como, conseguia enroscar mais sua cabeça de jaca nas alças da minha mochila. Puxei a mochila na intenção de arrancar a cabeça da infeliz, mas infelizmente isso não deu certo. Quando finalmente desprendi a mochila da diaba, a porta fechou. Sim, eu havia perdido a estação que teria de descer. Isso me deixou deveras raivosa.

Então, que para eu descer na próxima estação, eu teria de ir até a outra porta, do lado contrário da que eu - quase - havia conseguido chegar. E para tanto, eu precisaria fazer outro esforço herculeo. Aí que eu tive a idéia de fazer um motim. Gritei: AE, NA PRÓXIMA ESTAÇÃO, GERAL SEGURANDO AS PORTAS!!!!!1

Os outros que não haviam conseguido descer também entraram em frenesi. Geral gritando: SEGURA A PORTA! SEGURA A PORTA! e um deles ainda deu uma idéia mais genial: "…Na próxima estação, vamo descer igual show de rock, bate cabeça PORRA!!!". Excelente.

Consegui, num método de alavanca, me puxar para perto da outra porta, segurando nos canos e passando pelas pessoas, que já estavam deveras emputecidas. Quando chegou na estação seguinte, começou o bate cabeça definitivo. Desci como se estivesse lutando contra uma horda de bárbaros, literalmente espancando todos que eu via na frente. Logo atrás, os outros faziam o mesmo. Pareciam que tentavam fugir de raios lasers que vinham de dentro do vagão.

As pessoas que entravam no vagão ficaram loucas e começaram a gritar "CAAALMA, CAAAAAAAALMA!" e ao mesmo tempo que gritavam isso, me espancavam de volta. Enquanto elas entrava, empurravam quem queria sair de volta para dentro. Elas realmente não queriam que eu saísse. Cheguei a pensar que ficaria presa num vortex de tempo ali, para sempre, no metrô. E acho que nem nas aulas de Ju Jitsu eu fui tão espancada quanto aquele dia.


O inferno começa aqui

Corri para pegar o trem de volta para a Sé, e no processo, adentrei um vagão qualquer com brutalidade extrema. Quase derrubei um imbecil que estava com o cu na porta e dessa vez, não havia motivo para eu ter feito isso. Mas a adrenalina deve ter consumido parte da minha razão, e discuti com o infeliz também, que estava na porta obviamente para ser encoxado.

Por fim, cheguei na estação para ir sentido Barra Funda. Mas provavelmente estava com tanto rancor nos olhos que as pessoas fugiam. Entrei empurrando geral, dando mochilada na cabeça dos inocentes e consegui descer com maestria, na frente de todos. As pessoas abriam caminho para mim, era perfeito!

Depois desse episódio, decidi que vou fazer uma série de posts entitulados "Manual de Sobrevivência no Transporte Público". Começando com a primeira lição básica: Quanto mais hostil você for, mais rápido você consegue entrar e sair dos coletivos.


LOL

Brasil, o país da cirrose

Acabei de ler essa notícia sobre a lei seca ter sido suspensa no dia das eleições. Vejam, segundo a notícia "Na eleição de 2006, a SSP proibiu a venda e o consumo de bebidas alcoólicas no dia da votação das 8h às 17h". Das 8 as 17, apenas. E ainda assim, a associação de bares e restaurantes conseguiu tirar a proibição, alegando que isso não interfere no voto. Para ser bem sincera, não me importo se isso interfere ou não no voto, quero que se foda, já que tem nego que vota no Clodovil, Maluf e afins estando consciente mesmo.

O que me irrita de fato é essa loucura contra lei seca. Não consigo sequer imaginar como um infeliz pode ficar incomodado se só puder beber depois das 17. Ou melhor, o cara pode beber em casa mesmo, se for o jeito, mas isso pra mim é dependência química grave.

Os donos de bar querem mais é que se foda, o lance é lucrar no vício alheio, claro. Não há inocência.

Aí que nego fica emputecido com a "outra" lei seca, a de não poder dirigir bêbado. Acham que é um absurdo não poder tomar "só 3 latinhas" e sair por aí dirigindo. Queria que cada idiota desses tivesse o parente mais próximo e mais querido vítima de um motorista bêbado, com falta de reflexo e que ainda fugisse do local, sem prestar socorro. Acho que só assim pra essa nação de cachaceiros notar que é realmente grave a situação.

O pior é que é praticamente a mesma situação da época da lei do cinto de segurança, foi preciso que milhares e milhares morressem grosseiramente para que o povo notasse que era realmente necessário.

E a luta dos bares contra a lei seca continua, não duvido que a lei mais cedo ou mais tarde caia em esquecimento pelo simples fato de que o egoísmo de uns, fode a vida de outros, e ninguém liga pra isso. Aliás, ninguém liga desde que isso não afete diretamente os bêbados em questão ou os descoladinhos que falam mal da lei aleatóriamente, já que ainda não tiveram nenhum parente/amigo/afins afetado por um ébrio filho da puta.
Que uma latinha de cerveja atrapalhe o reflexo de um motorista, e que este atropele sei lá, o cachorro de cada um que reclama da lei. As pessoas só aprendem as coisas na base da porrada mesmo, imbecis.

 Desejo para cada maldito desses uma cirrose fudida. Uma cirrose mutada, uma cirrose dolorosa e uma morte lenta, sem uma gota de álcool. Sofreriam sóbrios e cientes das merdas que fizeram.

Reclamam das leis boas, ignoram as ruins. Desde que não tirem a dose diária de álcool na veia, tudo bem, não é mesmo? País de cachaceiros.